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Adiós, sampa. Olá, mar.

10/12/2010

Este blog nunca teve personalidade. Ou, talvez, tenha muitas. Defeito de nascença. Começou falando sobre sexo, mas sexo, como foco ou eixo da escrita, logo se mostrou desinteressante, pouco, limitado e limitante.

Depois, passei para as críticas de cinema, sempre relacionadas à literatura, um quebra-cabeça muito mais exigente e divertido, mas que demanda um certo esforço de pesquisa que nem sempre tenho saco pra fazer.

Muito provavelmente, essa instabilidade do blog se deva às incertezas desses últimos quatro anos, período babélico em que  tive que lidar, tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora com a reinvenção total da vida profissional (numa idade em que o senso comum consideraria o da colheita dos frutos da estabilidade), um mergulho mais profundo na vida acadêmica, um acidente na vida amorosa (o que considero o de menos, disparado) e, sobretudo, com um jeito diferente de olhar para mim mesma, de ir serenando em meio ao caos. O que não quer dizer que tenha sido fácil.

Agora, deixo São Paulo pra viver no meu paraíso particular junto ao mar. A bem da verdade, nem tão particular assim, já que praticamente estamos, eu, amigos e familiares, montando uma colônia de paulistanos desgarrados na cidade. Resolvi que, vivendo das letras mesmo antes de as escrever (bendito adiantamento da editora!), não tenho a menor necessidade de ficar cercada de congestionamento, barulho incessante e poluição.

É até esquisito o blog permanecer inabalável e “silencioso”, enquanto despacho móveis, embalo livros, brigo com os pedreiros que estarão construindo a casa nova e rodo o mundo atrás da porta de entrada dos sonhos (literalmente, porta de madeira mesmo. Meus sonhos estão bem concretos. E cimento. E cal).

Tanta coisa a dizer… e eu de novo sem saber por onde (re)começar.

Desconfio que este espaço aqui continuará mutante. E, agora, cheio de areia. Da praia, não da obra.

9 comentários

  1. Sou sua fã! Cada movimento concretizado em texto me fascina. Quando eu crescer quero ser como você. Boa sorte! Aliás, quem pode ver o mar diariamente já tem muita sorte e escritor não precisa do caos de Sampa, pode escolher viver no Olimpo.


  2. Mandou bem Malva.
    Reações adversas entre conhecidos tipicamente classe média são previstas.
    Já escrevia John Lennon em Watching the Wheels… (http://coisafilosofica.blogspot.com/2010/10/lennon.html)


    • Malva responde: Ih, seu Coisa, se vc soubesse quanto bobo alegre já me perguntou se é aposentadoria… O que dizer? Que posso me dar o luxo de ter, de sobra, espaço, silêncio, tempo e ar puro? E a dois passos do mar? Fico com peninha… hahahahahahahah….


  3. Bela suspensão… que seja leve a permutação, Malva.

    a praia movimenta o nosso espírito de visão, nossas inspirações e, mais além, a mais profana santidade – o desejo.

    Espero que os ares da praia, maresia, sol e lua, lhe conduzam a bons momentos temperados com vontade, abundância e criatividade

    um beijo

    Dan


  4. Malva estimada,

    Nada como uma paisagem praiana para abrir uma nova manhã. Apetites generosos e corpos bronzeados, banhados por sol, sal e oceano. É o pensamento do meio-dia, na sua clareza e sensualidade. Menina, pouco importa por onde, recomece. E recomece logo que este leitor está ansioso por escutar as novas. Que tal lhe parece a crônica?

    Beijo.


    • Malva responde: Bruno, câmbio, câmbio… Tinha alguém na escuta!!! Que bom. Gosto da crônica, mas fiquei um pouco traumatizada porque, em uma oficina literária, o orientador resmungava que eu evitava “o salto para a ficção”. Ele detestava crônica. Achava um gênero fácil. Fosse hoje, eu diria a ele que tudo é ficção, inclusive autobiografia. Ou até mesmo as nossas memórias. Quer coisa mais “reescrita” do que nossas lembranças? Andei mesmo cogitando em variar: uma crônica aqui, uma crítica ali, um pitaco inútil acolá. E serei caiçara com banda larga (espero que não de bunda larga). Obrigada e um beijo.


      • desculpe a interrupção, mas adorei “quer coisa mais “reescrita” do que nossas lembranças?”… invenção/fabricação/ficção… Nietzsche… Foucault, Deleuze… apostaram/apostariam suas vidas “nisto”. Eu também :)


        • Malva responde: Já está sendo leve, Dan. Eu diria mesmo que a permutação só foi possível porque a leveza veio antes. Obrigada. Beijo.



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