h1

Dez curiosidades sobre sexo na antiga Grécia – 2

28/03/2010

No post anterior, falei sobre sexo na Roma da antiguidade. Agora, é a vez de invadir a intimidade dos gregos.
Quando se junta “sexo” e “Grécia antiga”, automaticamente vem à cabeça de muita gente a velha crença de que os gregos eram todos chegados em traçar garotinhos.
Esse é um dos grandes equívocos perpetuados pela história.
As informações abaixo foram recolhidas do livro “Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga”, de Nikos Vrissimtzis. Referem-se basicamente aos atenienses da elite e algumas de suas afirmações, como a total submissão da mulher na antiguidade grega, são questionadas por outros autores. E, cá entre nós, na vida cotidiana as coisas nunca são tão simples quanto nas páginas dos livros, némesmo?

SER PASSIVO ERA VERGONHOSO
A homossexualidade masculina entre dois homens adultos era inaceitável socialmente, o que não quer dizer que não existia. Tal como no caso dos romanos, o passivo era o alvo da condenação  e da vergonha, porque ser penetrado remetia a um papel feminino de submissão (e a sociedade grega era tremendamente machista). Aliás, entre as piores ofensas que se poderia fazer a um cidadão estavam “depravado” e “ânus largo”.

PEDERASTIA NÃO TINHA NADA A VER COM SEXO
Há uma tremenda confusão a respeito da pederastia entre os gregos, que mereceria uma postagem específica, por ser cheia de sutilezas e regras. A pederastia não tinha nada a ver diretamente com homossexualidade nem com pedofilia, do modo como as entendemos atualmente. Era uma ligação de afeto de um homem adulto livre e da elite por um garoto, que tinha função pedagógica na formação de um cidadão da aristocracia. É claro que às vezes rolava sexo e paixão, mas nem por isso a prática era aceita socialmente ou tolerada pelo Estado. Seria inaceitável submeter um filho de família importante à penetração, por exemplo, porque era considerada um ato de violência. Fosse na vagina, no ânus ou na boca, só às mulheres a submissão de serem penetradas seria apropriada.

DILDO, PRODUTO DE EXPORTAÇÃO
As gregas usavam um pênis artificial feito de couro macio, o ólisbos, fabricado na próspera cidade de Mileto e exportado para várias regiões. Não se sabe se o dildo era usado nas relações homossexuais femininas, mas com certeza era usado pelas hetairas, prostitutas de luxo, durante suas apresentações de danças eróticas nos banquetes.

SURUBA SÓ NOS BANQUETES

Hetaira dançando com dois dildos

Falando nos banquetes, a partir do século VI a.C. começaram a aparecer nos vasos e relevos cenas de orgias com sexo oral, anal, ménage à trois, sado-masoquismo, envolvendo homens adultos e hetairas.
Essas surubas não eram amplas, gerais e irrestritas; ao contrário, eram praticadas nos banquetes, no meio da bebedeira, e tinham lá suas regras. Por exemplo, não há uma única cena de homossexualismo e nos chegou apenas uma única cena de um homem fazendo sexo oral em uma mulher.

ESTUPRO DAVA MULTA
Mulheres e crianças, fossem livres ou escravas, eram protegidas do estupro por lei. O agressor pagava multa duplamente, à vítima e ao Estado.

CIRCUNCISÃO ERA MAL VISTA
A circuncisão era considerada grotesca e vergonhosa por gregos e romanos. Os romanos tinhas até um “apelido” mimoso para estrangeiros circuncidados: “esfolados”.

PROSTÍBULOS PAGAVAM TRIBUTO
Os primeiros prostíbulos “oficiais” foram instituídos em Atenas por Sólon, que usou os tributos recolhidos para construir um templo para Afrodite Pandemia, deusa que velava pela prostituição. A idéia era deixar o sexo à disposição dos jovens para preservar as mulheres respeitáveis do adultério.
Essa prostitutas comuns eram escravas, ex-escravas, estrangeiras livres e meninas abandonadas pelos pais, bem como filhas de prostitutas. Era crime alguém incitar uma mulher ateniense à prostituição, bem como vender filhas ou irmãs que fossem cidadãs atenienses. Em grego, a palavra “prostituta” é pórne, que significa “aquela que está à venda”. Daí derivam as palavras “pornografia” e “pornográfico”.

HAVIA PROSTITUIÇÃO SAGRADA
Na rica cidade de Corinto, havia a prostituição sagrada, prática que vinha de sociedades agrárias. As servas sagradas pertenciam a templos dedicados à deusa do amor por toda a vida. Sua função era fazer sexo com quem pagasse, sendo que o dinheiro ficava para o templo. Acreditava-se que assim estaria garantida a fertilidade das mulheres e da terra. Num templo de Afrodite havia mais de mil servas sagradas. E era um serviço caro.

HETAIRAS, AS GUEIXAS DOS GREGOS
As hetairas eram prostitutas de luxo, consideradas companheiras dos homens nas ocasiões em que esposas, filhas e irmãs eram excluídas, devido à rigidez dos costumes em relação às mulheres.
Aliás, ao contrário das hetairas, esposas, filhas e irmãs de cidadãos livres eram pouco instruídas. As prostitutas de luxo eram belas, educadas, tocavam instrumentos musicais e dançavam.
Muitas acompanhavam os debates filosóficos com perspicácia e competência e algumas foram companheiras e/ou discípulas de filósofos, políticos e pessoas influentes. Eram tremendamente bem pagas, viviam em mansões e acumulavam fortunas. Sua origem, porém, era a mesma das prostitutas comuns.

SAFO DE LESBOS NÃO ERA LÉSBICA
Não há indícios de que Safo, atualmente considerada quase que a sacerdotisa do amor homossexual feminino, fosse lésbica, a não ser que usemos a palavra para desginar sua origem (a ilha de Lesbos). A poesia de Safo nos chegou de forma muito fragmentária, mas sabe-se que fazia poemas em homenagem a cada aluna que entrava ou saía da escola para meninas que mantinha (ao contrário do restante da Grécia, havia uma relativa liberdade para mulheres naquela região). Esses fragmentos de poemas podem ter dado origem à crença de que Safo tinha relacionamentos amorosos com mulheres, mas ela também escreveu sobre solidão, velhice, amor e separação. O que se sabe é que Safo foi casada, provavelmente teve uma filha e se matou por causa da rejeição de um homem.

37 comentários

  1. malva adoraia sair com vc conhecer vc bjsssssssssssdra


    • Malva responde: Wow! Que posso dizer? Obrigada pelo entusiamo.


  2. Bom,me ajudou bastante este artigo para um trabalho da escola.


  3. eu estava equivocada achei que pederastia era homossexualismo permitido na grecia antiga o que seria uma falta de respeito com as familias que deixavam esses meninos sob guarda desses ditos professores


  4. Malva, adorei seus posts e adorei seu blog!
    Um abraço e visite meus blogs também.
    Semíramis


  5. Gostei muitos das matérias sobre sexo na Grécia e Roma, cheguei até seu blog através de um site de busca, mas vou te enviar um e-mail par pedir umas dicas referente ao meu TCC


    • Malva responde: Que bom que gostou do texto. Respondi ao seu email, tá? Abs.


  6. Adoro Grécia e Roma…. Vou usar esses posts como base de pesquisa da faculdade …. Para comparar com o livro Grécia e Roma por Pedro Paulo Funari … Obrigada por colocar as fontes de informação


    • Malva responde: Que bom que gostou e pode usar os dados na boa. As fontes são confiáveis. Abraço e obrigada.


  7. Achei muito interessante essa matéria,gostaria de postar no meu blog.. se permitir mande a resposta para brunacurt@gmail.com.
    Agradecida


    • Malva responde: Que bom que gostou, Bruna. Fico muito agradecida pelo seu interesse em reproduzir a matéria. É só colocar o crédito e mandar bala.;)


  8. costumes antigos sempre me interesaram,ver como as pesoas agim ou pensavam diferent ou igual a nois,,,sempre pensei nos gregos como um povo,eu diria,diferent doq eu li…qm dera c hj em dia os estupradores tivessem q pagar multa dupla,talvz ai nao tivessem tantos por ai fazendo mal as pesoas!
    eu nunca tive nada contra as prostitutas,pelo contrario,sempre achei q eram mulheres de sorte,fazem oq gostam e ainda sao pagas por isso!
    gostei msm doq li,,obg e parabens :D


    • Malva responde: Que bom que gostou. Obrigada pela visita e pelo comentário.


  9. achei e acho muito interessante a historia antiga de qualquer parte do mundo! mas nenhuma é mais estranha e envolvente como o da grecia. afinal porque entao todas as esculturas e artes gritam “sexo entre homens”? é só olhar!!! onde estao as mulheres? como elas são retratadas na historia da arte, desconfio que a mulher era só para a reprodução ou a continuação da espécie! homens!!!!!! como insistem em ser os únicos no mundo, digo “os melhores-os poderosos”….


  10. Colegas apresentaram um trabalho e a professora falo um pouco sobre isso ai eu decidi pesquisar pra saber mais…
    Mto bom esse site
    é so um resumo mas é td


    • Malva responde: Que bom que gostou, Jonathan. Tem razão: é só um resumo muito, muito, muito simplificado. Obrigada pela visita e pelo comentário.


  11. Essa da prostituição sagrada é que está engraçada. Com 1000 servas sagradas, imagine quanto é que o Templo de Afrodite ganhava por ano! Nunca tinha ouvido falar dessa; os gregos eram bem originais. :)


    • Malva responde: o faturamento do templo devia ser muito bom. Religião sempre foi um bom negócio. ;)


  12. Olá malva

    Acabei de conhecer seu blog e o achei bastante interessante e construtivo, inclusive esse blog. Mas eu tenho uma pergunta, quais foram suas fontes e de onde você conseguiu as informações presentes nesse post?

    Aguardo retorno,

    Obrigada
    Mari


    • Malva responde: Oi, Mari. Que bom que gostou. Logo no terceiro parágrafo, coloquei a minha principal fonte: “As informações abaixo foram recolhidas do livro ‘Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga’, de Nikos Vrissimtzis”. Também tenho usado nessa série de posts sobre sexo na Grécia, Roma e Idade Média a coleção “Histórias da Vida Privada”, de Duby e Ariès. Um abraço e obrigada.


  13. [...] Quando se junta “sexo” e “Grécia antiga”, automaticamente vem à cabeça a velha crença de que os gregos eram todos chegados em garotinhos. Esse é um dos equívocos perpetuados pela história. Leia mais… [...]


  14. [...] Publicado no Malva Mauvais [...]


  15. Acabou com as duvidas sobre o Sexo nos tempos antigos, rs.

    Meus Parabéns, seu artigo foi bem esclarecedor.

    Abraços,
    Rogério Gomes


    • Malva responde: Olá, Rogério! Puxa, fico feliz, porque achava que ia sobrar dúvida de monte por aí. ;)
      Peguei só um pouquinho do tantão que está nos livros. Muito obrigada pela visita!


  16. Adorei a aula sobre a cultura grega, existe muita deturpação do que eram as relações na Velha grécia.
    Bjos
    cecil


    • Malva responde: Cecília, foi uma surpresa até pra mim, durante a pesquisa, ler detalhadamente sobre as relações da pederastia entre os gregos. É difícil para a gente entender um conceito tão diferente do que temos. Só a pederastia daria um post enorme, mas acho que não é o caso aqui num blog de entretenimento. Muito obrigada e um abraço.


  17. [...] #Lista 10 curiosidades sobre sexo na Grécia [...]


    • Maravilhoso! Nada como alguém que sabe o que fala e que fala o que sabe =) Sua destruição da bobageira que se imagina sobre sexualidade na velha Grécia, de onde todos viemos (ah vá, até arigatô saiu do português, que saiu do latim, que saiu culturalmente do grego), é uma delícia. E, sobre a bela Safo e seus mais que belos poemas, não é que tanto faz ter sido ela ou não hetero?


  18. E pensar que mais de 2 mil anos depois, a prostituição é ilegal, prostitutas são marginalizadas, prostíbulos fechados e/ou obrigados a pagar propinas. Horror! Horror!

    Beijo e parabéns pela iniciativa. Altamente educativa.

    Alemão


    • Malva responde: Eu desconfio, Alemão, que a vida das prostitutas da antiguidade também não era lá tudo aquilo… :)) Grata pela visita.


      • Pode ser, Malva. O problema maior, na minha opinião, foi não termos avançado em nada nessa questão, assim como no debate sobre a criminalização das drogas.

        Mantém-se a repressão e a política hipócrita de criminalizar e culpar o “consumidor” pela existência do tráfico. Aliás, tá aí mais uma boa pauta: da relação das sociedades antigas com as drogas. Sabe-se que a cocaína era vendida em farmácias no Brasil do início do século passado, por exemplo.


        • Malva responde: Esse lance das drogas é para mim um dilema. Em princípio, concordo com a descriminalização do uso e entendo que há uma arbitrariedade na definição de que substância é ou não legal. Por outro lado, não faço a menor idéia de como administrar uma liberação da venda, a transformação do povo que vende em empresários ou o atendimento ao usuário. Duro mesmo é engolir as incoerências, como liberar o chá alucinógeno para o uso em ritual religioso. Ou o treco é legal pra todo mundo ou não é. Por que raios qualquer religião, associação ou grupo tem direito a brecha na lei?


          • É verdade, você está coberta de razão quanto à “logística” da coisa. Mas por mais difícil que seja administrar uma nova realidade, dentro da legalidade, com o controle de qualidade das drogas, o pagamento de impostos e o uso, sim, da expertise do “povo que vende”, ainda acho que todo o esforço vale a pena na tentativa de criarmos um novo cenário. Porque este que está aí, de repressão, corrupção, aumento da violência e não diminuição do consumo interessa a quem? Em tempo: li uma matéria no final do ano passado que dizia que no auge da crise financeira de 2008, quem segurou o sistema financeiro internacional, com seus milhares e milhares de dólares transando de um banco a outro, foi o narcotráfico internacional.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: